sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Em algum lugar do tempo.

*Lentamente as lágrimas escorrem. Tento não te questionar, pois descobriu o que é melhor, ou não.




Saio caminhando por obrigação. Meu coração não sente mais a felicidade necessária. Não sou mais humana, há uma infecção em mim que me leva a procurar no vácuo uma esperança para sobreviver, mas nada encontro. Chuto pedras no caminho e devastada relembro frases que marcam minha história. Você não chega, vejo as escadas vazias. Uma musica toca e penso em ser impossível, já não sou mais tão importante e excepcional, todas as informações que chamavam atenção sumiram. Penso em mudar e transformar minha vida em um caos por um tempo.
Desejo sofrer mais, eu mereço. Estou dividida. Poderia eu entrar em uma guerra?
Assim deixo este lugar e olho para todos os cantos, procuro vestígios de sangue pelo local. Nada.
Estou sangrando ou é impressão minha? Meu sangue não tem cor nem sabor. É impuro. Como a prata para milionários. Não fui nada e nada serei. Agora não tenho mais especialidades. Atração e desejo. Vamos bater palmas para a negação. Uma criação que faz mal e é acompanhada por demasiado risco. Enfim caminhamos juntos em algum lugar do tempo, nos sentamos em um bosque com cheiros viciantes. Entre um abraço e outro, rimos de uma pulseira branca. “Ela deu certo, ele diz." Lemos juntos poemas adoráveis. As risadas param. Cautela!

Tudo branco. Descobrimos que ela caiu no chuveiro, sentou em um canto e cortou os pulsos. Disse que em algum lugar do tempo era feliz, desejava pular essa parte de desgosto.
Sempre foi dramática, tinha problemas. Quem seria feliz ao seu lado?! Assim evitou problemas ao marido, essa menina poderia fazer qualquer coisa. Deixou algumas coisas pra ti, vamos ver?
Era uma pulseira branca, foi arrancada antes de ir ao chuveiro. Precisava de espaço para as laminas perfurarem corretamente o local. Como um tiro certeiro no coração. É rápido. Simples. Fácil e longe de todos os ideais. É original.


Eles eram originais e problemas. Todos tem. " Mamãe, não quero ser prefeito. Pode ser que eu seja eleito. E alguém pode querer me assassinar..."


E as oportunidades evaporam de nossas mãos, os grãos de areia separados, a dor momentânea e o amor eterno.







- Para Atena, sua frase deu impulso para a realização deste lamento literário.

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